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sexta-feira, 7 de junho de 2013

A transmissão cultural e a linguagem. 2° ano

A transmissão cultural e a linguagem
O homem só existe enquanto ser cultural. É a cultura que nos humaniza como seres humanos. Não é a inserção em grupos que nos distingue dos outros animais, pois todos já puderam observar que os animais, de uma forma geral, vivem, na sua maioria, imersos em grupos. Logo, os animais podem viver em sociedade, mas não podem desenvolver cultura.
   As abelhas se organizam em grupos e possuem regras e atividades para cada um. Mas as abelhas de uma mesma espécie sempre se relacionam com o mesmo meio da mesma forma. Só ocorre uma alteração no seu comportamento devido a alguma alteração no meio, mas caso isso não ocorra, elas simplesmente reproduzem o seu modo de vida.  Desta forma pode-se dizer que elas se adaptam ao meio, ou a alterações ao meio, mas não o transformam. Essa capacidade de transformar o próprio comportamento e a natureza é própria do homem.
    Entre as abelhas existe sociedade, mas não existe cultura. Existem indivíduos ordenados como coletividade em que pode haver uma divisão do trabalho, de sexos e idades. Mas não há cultura, pois não há tradição viva, elaborada de geração para geração que permita tornar única e singular uma dada sociedade. Uma tradição viva nada mais é do que um conjunto de escolhas. Ter tradição não significa só viver determinadas regras, pois os animais vivem regras, mas viver conscientemente as regras. Sob determinadas circunstâncias, os animais vão sempre agir e reagir da mesma forma. Se eles mudam suas regras, o fazem por mudanças no meio. Já com o homem não acontece o mesmo. Os animais não produzem tradições que os diferenciem. A cada grupo humano corresponde uma tradição cultural.

    Por exemplo, não há como mostrar uma casa e dizer: esta é uma casa tipicamente humana, como se ela representasse todas as casas humanas. Mas posso tomar qualquer casa de joão-de-barro e dizer que é uma casa típica de joão-de-barro. Não interessa se do Brasil ou de Portugal.
O papel da linguagem na transmissão cultural e os meios de comunicação de massa
Como vivemos em sociedade, não é possível deixar de lembrar que não há cultura individual e que toda cultura é socialmente partilhada. O homem ao nascer é absolutamente frágil, um dos seres mais frágeis que existem. Assim como outros mamíferos, ele precisa que alguém lhe dê água, comida, abrigo e limpeza.
   Mas, ao contrário dos outros animais, praticamente tudo pode ser ensinado para um homem na primeira infância. Assim, um bebê nascido no Brasil pode ser retirado de seus pais e criado por outra família na China e ele vai agir, falar e pensar de acordo com os hábitos culturais dessa família que o adotou. Ele não gostará de arroz com feijão e terá dificuldade de pronunciar palavras na língua portuguesa, caso algum dia venha para cá. Ele pensará como um chinês e falará como tal. Provavelmente gostará de comidas que, para o paladar brasileiro, são consideradas inadmissíveis, como escorpiões e certos tipos de insetos. Ele saberá comer com palitos, e não com garfo e faca. Enfim, agirá e pensará como um chinês, embora tenha nascido de pais brasileiros. O mesmo não ocorre com os animais. Um gato, por exemplo, pode até ser criado com uma família de cachorros, mas nunca latirá. Isso porque seu comportamento é regido muito mais pelos seus instintos.
   E o ser humano? O que rege o nosso comportamento?
    O comportamento do ser humano é regido por padrões culturalmente transmitidos pela linguagem.
Logo, para os seres humanos, a linguagem tem papel importantíssimo na apreensão dos conteúdos simbólicos, pois é por meio dela que nos tornamos seres humanos. É por intermédio dela que os padrões culturais são transmitidos por meio de símbolos e sinais. E na nossa sociedade existem vários mecanismos de transmissão cultural.
   Alguns grupos dos quais fazemos parte são um importante mecanismo de transmissão cultural, como a família, os amigos, o trabalho, a vizinhança, a escola, entre outros. Outros mecanismos de transmissão cultural são os meios de comunicação, como a televisão, o rádio, a internet, os jornais, além dos livros, das obras de arte, entre muitos outros.
  Se a linguagem é a forma mais importante de transmissão cultural, cada vez mais na nossa sociedade essa se dá pelos meios de comunicação de massa. Eles são importantíssimos para que possamos compreender o que se passa na sociedade e como devemos agir socialmente.

Karl Marx, texto 1. 3° ano

Karl Marx (1818- 1883, Alemanha).

A obra de Marx é uma profunda analise da raiz e dos desdobramentos do  sistema capitalista
“Toda obra de Marx interpreta como o modo de produção capitalista mercantiliza as relações, as pessoas e as coisas, em âmbito nacional e mundial, ao mesmo tempo em que desenvolve as suas contradições”
Ianni, Octavio (1979), Marx – Sociologia. Grandes cientistas sociais; Editora Ática.

 
Ele analisa as estruturas que mantém esta ordem social e econômica e descobre que:

- O capitalismo mercantiliza TODAS as relações em TODOS  os lugares que chega
- e, ao mesmo tempo, desenvolve contradições: a riqueza de uns é a miséria de muitos.

 Desenvolve um método de análise e interpretação do capitalismo: materialismo dialético e materialismo histórico.

Materialismo dialético é uma concepção filosófica que defende que o ambiente, o organismo e fenômenos físicos tanto modelam os animais e os seres humanos, sua sociedade e sua cultura quanto são modelados por eles. Ou seja, que a matéria está em uma relação dialética com o psicológico e social. Se opõe ao idealismo, que acredita que o ambiente e a sociedade com base no mundo das ideias, como criações divinas seguindo as vontades das divindades ou por outra força sobrenatural.
“Não é a consciência do homem que lhe determina o ser, mas, ao contrário, o seu ser social que lhe determina a consciência.” Marx in Ideologia Alemã.

O materialismo histórico é uma abordagem metodológica ao estudo da sociedade, da economia e da história. O materialismo histórico procura as causas de desenvolvimentos e mudanças na sociedade humana nos meios pelos quais os seres humanos produzem coletivamente as necessidades da vida. As classes sociais e a relação entre elas, além das estruturas políticas e formas de pensar de uma dada sociedade, seriam fundamentadas em sua atividade econômica.

Dialética: tudo funciona em relação de antagonismo, para existir exploradores precisa existir explorados, para existir uma classe social paupérrima é preciso existir uma classe social rica...

“A história de toda a sociedade até aos nossos dias nada mais é do que a história da luta de classes.” Marx in Manifesto Comunista de 1847

O capitalismo produz coisas (mercadorias) e isso quase sempre ocorreu na história da humanidade, mas neste sistema econômico social a mercadoria DOMINA e determina tudo (exemplos: cidade, gosto musical, religião, etc.) e ele produz a MAIS-VALIA. É um sistema de mercantilização universal e de produção de mais-valia. Tudo vira mercadoria ao mesmo tempo: coisas, relações, pessoas...
Transforma pessoas em mercadorias

Mais-valia no dicionário online
 s.f. Na doutrina marxista, a remuneração do capitalista, consequência de uma espoliação dos trabalhadores assalariados, que, em troca de sua força de trabalho, recebem apenas o valor das mercadorias e serviços indispensáveis à sua subsistência. (A diferença entre o valor dos bens produzidos e os salários recebidos constitui a "mais-valia", de que se apropriam os capitalistas.)



“Mais-valia e mercadoria são a condição e o produto das relações de dependência, alienação e antagonismo operário e do capitalista, um em face do outro”  - Octavio Ianni.

Significado de Alienação
s.f. Ação ou efeito de alienar: alienação de uma propriedade.
Jurídico. Ato de transferir para alguém uma propriedade ou um direito: alienação de um apartamento.
Resultado de algum tipo de abandono ou efeito da ausência de um direito comum: alienação da segurança.
Filosofia. Hegelianismo. Quando a consciência torna-se desconhecida a si própria ou a sua própria essência.
Informal. Desinteresse por questões políticas ou sociais.
Psicologia. Estado da pessoa que, tendo sido educada em condições sociais determinadas, se submete cegamente aos valores e instituições dadas, perdendo assim a consciência de seus verdadeiros problemas.
Psicopatologia. Perda da razão, loucura: alienação mental.
Psiquiatria. No desenvolvimento de um sintoma clínico algumas pessoas ou situações comuns tornam-se estranhas ou perdem sua natureza familiar.
Alienação a título gratuito, doação.
pl. alienações.
(Etm. do latim: alienatione.m)
 


Proletariado: É o conjunto de trabalhadores que necessitam vender a sua força-de-trabalho a um empresário capitalista.
Burguesia: O termo Burguês origina-se dos mercadores que viviam nos Burgos (cidades protegidas por muralhas), no fim da idade média, após o Feudalismo. Segundo Karl Marx, Burguesia se refere hoje à classe dominante da sociedade, a classe que detém os meios de produção e o capital.

Ser radical: é ir nas raízes das coisas

“Toda ciência seria supérflua, se a aparência exterior e a essência das coisas coincidissem diretamente”
MARX, K. O Capital, T. III, p. 948.

Classes sociais na obra de Marx.
As relações de produção regulam tanto a distribuição dos meios de produção e dos produtos quanto a apropriação dessa d





istribuição e do trabalho. Elas expressam as formas sociais de organização voltadas para a produção. Os fatores decorrentes dessas relações resultam em uma divisão no interior das sociedades.
Por ter uma finalidade em si mesmo, o processo produtivo aliena o trabalhador, já que é somente para produzir que ele existe. Em razão da divisão social do trabalho e dos meios, a sociedade se extrema entre possuidores e os não detentores dos meios de produção. Surgem, então, a classe dominante e a classe dominada (ou seja, a dos trabalhadores). O Estado aparece para representar os interesses da classe dominante e cria, para isso, inúmeros aparatos para manter a estrutura da produção. Esses aparatos são nomeados por Marx de infraestrutura e condicionam o desenvolvimento de ideologias e normas reguladoras, sejam elas políticas, religiosas, culturais ou econômicas, para assegurar os interesses dos proprietários dos meios de produção.
Percebendo que mesmo a revolução burguesa não conseguiu abolir as contradições entre as classes, Marx observou que ao substituir as antigas condições de exploração do trabalhador por novas, o sistema capitalista de produção em seu desenvolvimento ainda guarda contradições internas que permitem criar condições objetivas para a transformação social. Contudo, cabe somente ao proletariado, na tomada de consciência de classe, sair do papel de mero determinismo histórico e passar a ser agente dessa transformação social.
As contradições são expressas no aumento da massa de despossuídos, que sofrem com os males da humanidade, tais como a pobreza, doenças, fome e desnutrição, e o atraso tecnológico em contraste com o grande acúmulo de bens e riquezas em grandes centros financeiros e industriais. É só por meio de um processo revolucionário que os proletários de todo o mundo, segundo Marx, poderiam eliminar as condições de apropriação e concentração dos meios de produção existentes. Acabando a propriedade desses meios, desapareceria a burguesia e instalar-se-ia, transitoriamente, uma ditadura do proletariado até que se realizem as condições de uma forma de organização social comunista.
Por João Francisco P. Cabral
Colaborador da Brasil Escola
Graduado em Filosofia pela Universidade Federal de Uberlândia - UFU
Mestrando em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP


Alienação
A alienação ou estranhamento é descrita por Marx sob quatro aspectos:

1. O trabalhador é estranho ao produto de sua atividade, que pertence a outro. Isto tem como consequência que o produto se consolida, perante o trabalhador, como um “poder independente”, e que, “quanto mais o operário se esgota no trabalho, tanto mais poderoso se torna o mundo estranho, objetivo, que ele cria perante si, mais ele se torna pobre e menos o mundo interior lhe pertence”;
2. A alienação do trabalhador relativamente ao produto da sua atividade surge, ao mesmo tempo, vista do lado da atividade do trabalhador, como alienação da atividade produtiva. Esta deixa de ser uma manifestação essencial do homem, para ser um “trabalho forçado”, não voluntário, mas determinado pela necessidade externa. Por isso, o trabalho deixa de ser a “satisfação de uma necessidade, mas apenas um meio para satisfazer necessidades externas a ele”. O trabalho não é uma feliz confirmação de si e desenvolvimento de uma livre energia física e espiritual, mas antes sacrifício de si e mortificação. A consequência é uma profunda degeneração dos modos do comportamento humano;
3. Com a alienação da atividade produtiva, o trabalhador aliena-se também do gênero humano. A perversão que separa as funções animais do resto da atividade humana e faz delas a finalidade da vida, implica a perda completa da humanidade. A livre atividade consciente é o caráter específico do homem; a vida produtiva é vida “genérica”. Mas a própria vida surge no trabalho alienado apenas como meio de vida. Além disso, a vantagem do homem sobre o animal – isto é, o fato de o homem poder fazer de toda natureza extra-humana o seu “corpo inorgânico” – transforma-se, devido a esta alienação, numa desvantagem, uma vez que escapa cada vez mais ao homem, ao operário, o seu “corpo inorgânico”, quer como alimento do trabalho, quer como alimento imediato, físico;
4. A consequência imediata desta alienação do trabalhador da vida genérica, da humanidade, é a alienação do homem pelo homem. “Em geral, a proposição de que o homem se tornou estranho ao seu ser, enquanto pertencente a um gênero, significa que um homem permaneceu estranho a outro homem e que, igualmente, cada um deles se tornou estranho ao ser do homem”. Esta alienação recíproca dos homens tem a manifestação mais tangível na relação operário-capitalista.
Por João Francisco P. Cabral
Colaborador da Brasil Escola
Graduado em Filosofia pela Universidade Federal de Uberlândia - UFU
Mestrando em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP