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domingo, 5 de maio de 2013

Etnocentrismo e Relativismo Cultural 2013


“[...] cada qual denomina de bárbaro o costume que não pratica na própria terra”.
     Montaigne, filósofo do século XVI.

ETNOCENTRISMO
etno = é uma palavra grega que significa povo.
centr = vem de centro.
ismo = sufixo que designa prática de algo.
Etnocentrismo é a postura segundo a qual você avalia os outros povos a partir de sua própria cultura.

 Nesse sentido, todos nós somos etnocêntricos. Uns mais e outros menos. O problema do etnocentrismo é que ele não nos permite compreender como os outros pensam, já que de antemão eu julgo os outros conforme os meus padrões, de acordo com os valores e ideias partilhados pela minha cultura. E isso é um problema quando se quer compreender o outro, quando se quer pensar sociologicamente.
Logo, o etnocentrismo é uma postura que devemos evitar.

 Na Antropologia há um recurso metodológico para isso e ele tem a ver com uma atitude mental que os pesquisadores adotam diante do que é diferente.
 O antropólogo deve tornar exótico o que é familiar e tornar familiar o que é exótico.
 Ou seja, é preciso assumir uma postura de distanciamento ou afastamento diante de seu modo de pensar, agir e sentir. Ela está ligada ao estranhamento. É tentar se colocar no lugar do outro e compreender como ele pensa. Isso é o relativismo cultural.

 Uma das razões mais importantes para termos uma postura etnocêntrica está ligada ao medo. Medo do outro e, acima de tudo, medo de nós mesmos.
 Por que isso está ligado ao medo?
 Porque, quando nós dizemos que o outro é inferior, automaticamente nos colocamos em uma posição de superioridade. E, se somos superiores, somos os corretos, os melhores. Logo, não precisamos questionar nossa maneira de agir, pensar ou sentir. Pois, quando olhamos o outro e procuramos genuinamente compreendê-lo na sua diferença, muitas vezes não olhamos somente para este outro. Olhamos também para nós mesmos. Ao aceitar o outro na sua diferença, muitas vezes somos levados a refletir sobre nós. Verificamos que existem outras possibilidades de existência, outras formas de ver e pensar o mundo e que a nossa é uma entre muitas. Não é a única possível e talvez nem a melhor.
E por que não queremos fazer isso?
Porque aceitar o outro na sua diferença leva muitas vezes a refletir sobre a própria existência, e as pessoas nem sempre estão preparadas ou simplesmente não querem rever ou repensar seu ponto de vista. Gostamos de achar que  esse ponto de vista é o único possível, pois assim esquecemos que é somente uma possibilidade, uma entre outras. Com isso fugimos da responsabilidade de pensar sobre as escolhas que fazemos dizendo que: “não temos escolha”, que “o mundo deve ser assim”, “sempre foi assim”, “não há o que mudar” e que o “diferente está sempre errado”, “é sempre inferior”.
Ter essa atitude não significa deixar de ser quem você é, e sim, aceitar o outro na sua diferença, colocar-se no lugar  do outro. A essa postura damos o nome de relativismo cultural.

RELATIVISMO CULTURAL

O relativismo cultural é a postura segundo a qual você procura relativizar sua maneira de agir, pensar e sentir e assim se colocar no lugar do outro. “Relativizar” significa que você estabelece uma espécie de afastamento, distanciamento ou estranha- mento diante de seus valores, para conseguir compreender a lógica dos valores do outro.

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