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sexta-feira, 4 de maio de 2012

2° ano: Por que as pessoas migram?


 Por que as pessoas migram?
Eis uma pergunta tradicional que nunca recebeu uma resposta completa, mas que deu ensejo a muitas publicações e debates. A questão básica envolve o peso dos fatores de expulsão ou de atração e a maneira como se equilibram. Para começar, deve-se dizer que a maioria dos migrantes não deseja abandonar suas casas nem suas comunidades. Se pudessem escolher, todos – com exceção dos poucos que anseiam por mudanças e aventuras – permaneceriam em seus locais de origem. A migração, portanto, não começa até que as pessoas descobrem que não conseguirão sobreviver com seus meios tradicionais em suas comunidades de origem. Na grande maioria dos casos, não logram permanecer no local porque não têm como alimentar-se nem a si próprias nem a seus filhos. Num número menor de casos, dá-se a migração ou porque as pessoas são perseguidas por sua nacionalidade – como as minorias dentro de uma cultura nacional maior – ou seu credo religioso minoritário (dos judeus aos menonitas e aos dissidentes da Igreja russa ortodoxa) é atacado pelo grupo religioso dominante.
 Uma vez que as condições econômicas constituem o fator de expulsão mais importante, é essencial saber por que mudam as condições e quais são os fatores responsáveis pelo agravamento da situação crítica que afeta a capacidade potencial dos emigrantes de enfrentá-la. Nessa fórmula, três fatores são dominantes: o primeiro é o acesso à terra e, portanto, ao alimento; o segundo, a variação da produtividade da terra; e o terceiro, o número de membros da família que precisam ser mantidos. Na primeira categoria estão as questões que envolvem a mudança dos direitos sobre a terra, suscitada via de regra pela variação da produtividade das colheitas, causada, por sua vez, pela modernização agrícola em resposta ao crescimento populacional. Nas grandes migrações dos séculos XIX e XX – época em que chegaram à América mais de dois terços dos migrantes –, o que de fato contava era uma combinação desses três fatores.
(KLEIN, Herbert S. Migração internacional na história das Américas. In: FAUSTO, Boris. Fazer a América? A imigração em massa para a América Latina. São Paulo: Edusp, 2000. p. 13-14.)

2° ano: Georg Simmel (1858-1918)


Georg Simmel (1858-1918)

 Georg Simmel nasceu na Alemanha e seus pais eram judeus convertidos ao protestantismo – nessa religião Georg Simmel foi batizado.  O fato de vir de uma família com origem judaica, mesmo que convertida, era motivo de preconceito. Em virtude de tal preconceito e do fato de ser um crítico dos valores dominantes em sua época, Simmel só conseguiu o cargo de professor contratado em tempo integral em 1914, apenas quatro anos antes  de morrer de  câncer,  em 1918. Permaneceu, portanto, durante muitos anos como professor não contratado. Só recebia se os alunos se inscrevessem nos seus cursos, caso contrário, não conseguia nenhuma renda. Como suas aulas estavam sempre repletas de alunos (pois era visto como um bom professor e homem brilhante) ele conseguia algum ganho.  Mas o seu sustento vinha muito mais de uma herança que recebera pelo falecimento de seu tutor. (MORAES   FILHO, 1983).
 Simmel não procurou criar uma grande teoria. Na verdade, era a favor de escrever ensaios (pequenos textos instigantes sobre um tema) e por isso trabalhou os mais diferentes temas, como: a ponte e a porta, o adorno, o jarro, a coqueteria, a filosofia de uma forma geral (do dinheiro e do amor, por exemplo), entre muitos outros.
Por ser ex-judeu, Simmel sentia-se um estrangeiro no próprio País, pois era tratado como tal.

  Simmel distinguia o viajante do estrangeiro. O estrangeiro para ele era aquele que chega e não vai embora. Logo, não é um mero viajante. É a figura que se muda de um lugar para outro, para ali residir, e não o turista. Como ele é estrangeiro, sua posição em relação ao grupo é marcada pelo fato de não pertencer ao grupo desde o início do mesmo ou desde que nasceu. Destacar ainda a ambiguidade do estrangeiro em relação ao grupo. Ele é um elemento do grupo, mesmo que não se veja como um, ou que não seja visto como parte dele pelos demais membros do grupo.
Ou seja, é um elemento do conjunto, assim como são os indigentes ou os mendigos e toda espécie de “inimigos internos” (1983, p. 183).
 Com isso, Simmel quis dizer que mesmo aqueles que não são queridos por um grupo ou são tratados como iguais, também fazem parte dele. Ou seja, o estrangeiro tem ao mesmo tempo uma relação de proximidade e envolvimento com o grupo, de um lado. E de outro, uma relação de distância e indiferença. Ele vive cotidianamente com aquelas pessoas; logo, está relativamente próximo e envolvido com elas. Contudo, como com frequência é tratado tal qual um “de fora”, e se sente à parte do grupo, pode muitas vezes desenvolver um sentimento de distância e indiferença (1983, p. 184-186). O estrangeiro é, portanto, o estranho portador de sinais de diferença, como a língua, os costumes, a alimentação, modos e maneiras de se vestir. Ele não partilha tantos hábitos, costumes e ideias com o grupo e, sendo assim, também não partilha certos preconceitos do grupo e não  s e   sente   forçado a agir como um dos membros. Os laços que o unem são muitas vezes mais frouxos do que aqueles que unem os outros membros que ali estão desde o seu nascimento (1983, p. 184-185).